21/03/2008

Na franja do azul, onde recobria a terra sobre a areia, o mar chegava aos poucos. Eu era meu avô, o velho Janu, e no camarote do meu navio eu podia ver uma ilha da Polinésia. Acabara de despachar um telex, me comunicava com árabes, japoneses, alemães, ingleses, italianos. Onde havia mar, havia o homem.
Eu podia enxergar, lá longe, algo que podia ser a África, no que será que pensava, meu santificado avô, na hora que ele comia uma puta em Amsterdam? Em que fixava seu pensamento na hora que inspirava a fumaça relaxante em uma casa de ópio de Bancog?
A Canon comprada em Tóquio, preta com detalhes prateados, focalizava peixes, trazia o sol, deslizava em nuvens em busca de um ângulo inexistente, aborrecia os tímidos nas festas, buscava alguma luz em olhos infantis, revelava algum tipo de tristeza na felicidade.
A Super 8 não, a Super 8 era cruel. Ninguém ainda sabia como se comportar na frente de uma película. Eu vi um vídeo da minha vó dançando e testemunhei. Ele estava feliz! Hoje ele mal consegue andar e ela pulava e rodava. Ao mesmo tempo são só imagens e no fundo elas não dizem nada.

Miríades, miragens.

Eu e meu amigos.
Eu sozinho.
Eu e minhas ex-namoradas
Eu e minhas futuras namoradas (?)
Eu e minha maneira platônica de só querer o que está longe, o impossível, o difícil.
Eu e “minhas” nada
Eu e o vazio

O vazio

Um eu sem Outro

Um comentário:

Nelsinho disse...

é disso que eu falo, qdo falo do ferreirinha. e ninguém me escuta, caramba.